5 itens para sobreviver à Primavera dos apagões em São Paulo
Daniely Silva -
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Crônicas
#tecnologia

A Primavera está chegando a São Paulo, e, com ela, vêm os vendavais arrasadores. Em setembro do ano passado, as rajadas chegaram a 98 km/h na Capital e a 138 km/h na Baixada Santista (o equivalente a um furacão na categoria 1). Desastres naturais são também antrópicos, na medida em que o ecúmeno se estende a áreas de fragilidade ambiental (ao mesmo tempo em que também as expande). As mudanças climáticas tornam urgente essa compreensão, ao impor a necessidade de mitigações e adaptação.
Ninguém vai resolver o problema individualmente, mas, depois de enfrentar sucessivos apagões, cada vez mais frequentes, acabei montando um quite de “sobrevivência”. Falo-o com muitas aspas, porque não garantiria sobreviver por longos períodos num cenário de tragédia, apenas proporciona um pouco menos de desconforto numa situação crítica.
No ano passado, partes do meu bairro ficaram até uma semana sem luz. Os três dias de escuridão na minha casa pareceram uma eternidade — e, como no ano retrasado, perdi tudo em minha geladeira. Uma estrutura da rede elétrica entre Perus e o Morro Doce fora atingida pela tempestade; por se tratar de área de mata, a manutenção demorou, num momento em que outros milhões, em outras regiões da cidade, também estavam sem luz.
Já no primeiro dia, sabia que aquilo não ia se resolver logo e saí para ver o que ia conseguir. Foi devastador ver a destruição nas ruas do meu bairro. Caminhei léguas e só um armazém tinha lampiões, mas uma pessoa sozinha comprou os últimos cinco. Quando finalmente consegui comprar um fora do bairro, assim que o acendi, a luz elétrica chegou — ironias da vida.
Não é só a periferia que enfrenta esse problema. A Vila Pompéia, bairro de alto padrão entre os distritos da Lapa e Perdizes, na Zona Oeste da cidade, já chegou a ficar mais de 3 dias sem luz.
O medo volta com freqüência. Na semana passada, tivemos um choque de massas de ar: uma frente fria raspou o litoral e se chocou com a alta pressão instalada no Centro-Sul do Brasil; foi provocada uma virada no tempo e o temor dos blecautes. Para o alívio de muita gente, não houve uma falta de luz generalizada, mas quando será a próxima vez?
1. Lampião

Viver à luz de velas é cruel: a luz é sofrível, a mobilidade é pouca e a praticidade menor ainda. O lampião permite uma autonomia semelhante à luz elétrica, inclusive ler e escrever nas horas de apagão. O cheiro do querosene é um inconveniente com o qual se tem que lidar.
2. Bateria portátil

Num mundo em que os eletrônicos tomaram muito mais espaço nas nossas vidas do que seria saudável, uma bateria portátil pode ajudar nesses momentos. Comprei essa, de 20 mil miliamperes/hora, para usar em viagens de ônibus mais longas que 48 horas, mas acabou sendo útil para os apagões, já que rende várias recargas. É claro que não vai permitir usar o celular para entretenimento, apenas ter bateria para o básico: comunicação, olhar uma notícia ou outra pra inferir quando a luz vai voltar e saber sobre o transporte público.
3. Radinho de pilha

Ela deu o rádio e nem me disse nada, ela deu o rádio
Ela deu, foi pra fazer pirraça
Ela deu de graça
O rádio que eu comprei
Pra um pouco de entretenimento e pra saber o que acontece no mundo. Quando falta luz, as redes móveis de telefonia ficam sobrecarregadas, já que a fixa não funciona. Um rádio ajuda a matar as horas, porque, em tempos modernos, desaprendemos a conviver com o silêncio da noite transformada em dia.
4. Alimentos não perecíveis

Quando vai chegando a Estação dos Vendavais, já começo a comprar menos gêneros. Os não perecíveis não vão nos sustentar por muito tempo, mas são um caminho para evitar a experiência de perder tudo o que se encontra na geladeira. São úteis pra matar a fome por uns dias, basta pensar que boa parte da nossa história foi sem geladeira. Tapioca, fubá, farinha de mandioca, arroz, feijão, charque, queijos secos, tubérculos, ovos e frutas (esses últimos são perecíveis, mas agüentam ficar ao ar livre por um tempo) vão ajudar a improvisar uma refeição leve livre de ultraprocessados.
5. Fósforos

Pra acender o lampião e o fogão ao improvisar um prato. Melhor que o isqueiro, por dar uma distância maior entre os dedos e a fonte de calor; ainda dá pra acender um palito no outro pra render um pouco mais.
