Dois Caminhos
Daniely Silva -
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Crônicas
Caminhava pelas ruas da Lapa numa madrugada a caminho do trabalho. Era por volta das 6 e 10 de uma manhã já iluminada, porque era comecinho de outubro e o Sol já nasce cedo.
Numa esquina, vi um velho e um cone de trânsito, lado a lado:
— Tem dois caminhos!
Pensei que a rua estivesse interditada, foi o raciocínio ao ouvir essas palavras e ao ver o cone. Mas, ao me aproximar, ele me entrega um papel velho:
— Tem dois caminhos: o inferno ou Jesus!, o papel era o Salmo 91.
Continuei meu caminho. Numa esquina de ruas com nomes de figuras romanas, vi um bar fechado e a dona escorada no poste. Ela falava ao celular e só cumprimentei com a mão, para não interromper a ligação. Só que a própria abaixou o celular ao me ver:
— Vai vir tomar uma hoje?, a voz era mais rouca que o normal.
— Talvez…, respondi enquanto me engasgava com um pão de queijo.
— Talvez não! Você vai vir! Vou estar aqui te esperando!
— Estarei aqui.
Não havia modo de recusar uma intimação dessas. E, realmente, tem dois caminhos.
