Daniely Silva

Cratera de Colônia e por que a Geografia é importante

Retrato em plano fechado de moça sorridente Daniely Silva -
Tempo de leitura: 2 minutos. Crônicas #fotografia

A Cratera de Colônia anseia por ser reconhecida plenamente como uma cratera de impacto. Falta financiamento para a perfuração que responderia uma série de perguntas sobre esse precioso relevo que encontramos no extremo Sul da cidade de São Paulo. Abrigando o bairro de Vargem Grande em seu interior, a cratera nos mostra que nem um impacto de dezenas de milhões de anos pôde interromper o caos habitacional que empurra o trabalhador para extremos cada vez mais distantes: encostas, morros, várzeas, pântanos e até crateras.

A gente olha e vê uma serra, mas é a borda de uma cratera. A Cratera de Colônia, originada por um provável impacto há um período impreciso entre cerca de 10 a 30 milhões de anos, é uma das feições de relevo mais interessantes na cidade de São Paulo. Pois é, a Zona Sul da cidade tem de tudo. Tem cachoeira, tem represas, tem balsa e barco, trilha pro litoral e até uma cratera de impacto.

O nome Colônia remete a uma das mais antigas colônias alemãs do Brasil, composta também por suíços e austríacos. Embora o estabelecimento da colônia seja de data incerta, o seu cemitério data de 1827, final do Primeiro Império. O nome Colônia Alemã foi mudado para, simplesmente, Colônia, devido às medidas do Estado Novo contra referências aos países do Eixo. Foi pouco antes que, em 1935, o município de Santo Amaro, do qual a região fazia parte, foi absorvido por São Paulo.

Apesar do nome, o bairro de Colônia fica fora da cratera. O relevo levou o nome por ser esse bairro o único núclea habitado da região quando de sua identificação, em 1961. O bairro de Vargem Grande começou a se formar a partir de 1989.

A Geografia aparece para dizer que o espaço não é algo dado: ele é produzido. Humanos se utilizam do espaço para seus próprios nteresses, moldando-o de acordo com sua necessidade. E o “espaço” que sobra? Fica pra quem não tem. Tem gente morando cada vez mais longe, em locais cada vez mais extremos, e falta verba para a Ciência, enquanto falta moradia e falta educação. A crise de água e a crise ambientol são, antes de tudo, uma crise da habitação. Mais que negligência: é projeto.

A desigualdade e os interesses estão impressos na paisagem: basta olhar para ver, basta respirar para sentir, basta escutar para concluir.

Vista de bairro periférico com borda de cratera ao fundo.

Vista de bairro periférico com borda de cratera ao fundo.

Rua periférica com serra florestada ao fundo.

Região pantanosa com moradia precária.

Folha seca em primeira plano, Cratera de Colônia desfocada ao fundo.

Reedição de publicação em rede social aos 12 e 25 de julho de 2022. Visita de campo feita aos 2 de julho de 2022.