PEC da reeleição (de novo!)
Daniely Silva -
Tempo de leitura: 2 minutos.
Crônicas
O Senado Federal votará a PEC da reeleição. Aliás, o seu fim, porque sua criação já foi feita por intermédio do senhor FHC em 1997, esse mecanismo inédito na jovem república brasileira.
Imagine só se o Barbudo propõe uma coisa dessas? Cuba! Venezuela!, gritariam os papagaios. A verdade é que Lula até já recusou a ideia de estender a reeleição para obter um terceiro mandato consecutivo.
Apesar de ser favorável ao mandato executivo fixo de 5 anos, não acho que esse vá ser o Santo Graal para a política brasileira. O clima da reeleição não é positivo para o país, dar a máquina pública ao candidato que também é o governante em exercício é o pior que pode acontecer em matéria de propostas imediatistas e eleitoreiras.
Claro que não sou hipócrita ao ponto de negar que quero que o meu candidato de reeleja. Bruno Covas foi questionado por ser candidato à reeleição enquanto era contra a sua existência; a resposta dele foi que jogava as regras do jogo atual.
Os senadores vieram com a proposta de aumentar o próprio mandato para 10 anos. Parece um preço alta para passar uma PEC, mas não tanto se considerarmos que o cargo era vitalício no Império. Em todo o caso, eles tiveram a decência de pleitear a redução do próprio mandato para os mesmos 5 anos propostos para o Executivo. Na Câmara Baixa, nada muda, por ora.
O que mais me incomoda é quase um jabuti: a proposta de passar todas as eleições para um dia só. Ora, o princípio é lindo: mais eficiência logística, de tempo e financeira, além de reduzir o constante clima de disputa ocasionado pelas eleições bienais.
Muito bonito, mas não num país com 10 milhões de analfabetos e incontáveis funcionais, em que as pessoas têm dificuldade para acertar sequências de números numa urna eletrônica. Nesse cenário, candidatos já perderam milhões de votos por mudança de legenda ou por receber o apoio de alguém de um partido mais forte (e.g. Bolsonaro e Tarcísio em 2022 e Boulos na prefeitura de SP em 2024). A crônica Bolsonaro é Treze não saiu da minha cabeça, foi inspirada no relato real de uma mesária.
Além dos votos perdidos por confusão de números, nem imagino as intermináveis filas causadas pelas eleições num dia só. Até eu já troquei de chapa por não me lembrar do número do meu candidato para o legislativo — confiei demais na memória sem cola. Senador, prefeito, deputado estadual, vereador, deputado federal, governador, presidente… Tantos nomes já me embaralham só de pensar!
Já que vamos trabalhar em cima do mundo ideal, que todos votem em casa pelo aplicativo e-Título, porque os grupos criminosos que pderiam comprovante de voto em vídeo certamente não vão inspecionar o voto remoto. Eles vão pensar na comidade geral! Assim é bom porque não teremos mais gastos com urnas, mesários e policiamente nas zonas eleitorais. Sim, senhor, eficiência vem antes da realidade.
